
O Ministério da Saúde anunciou a prorrogação da campanha de vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) para adolescentes com idades entre 15 e 19 anos. A estratégia de resgate, que inicialmente se encerraria em junho de 2026, foi estendida até 31 de dezembro de 2026. A medida, comunicada às secretarias estaduais e municipais de saúde na última segunda-feira (29), busca ampliar significativamente a cobertura vacinal entre os jovens que não receberam o imunizante na idade recomendada.
A decisão de estender o prazo visa alcançar uma meta ambiciosa de mais de 600 mil adolescentes que perderam a oportunidade de se vacinar. Até o mês de junho, 287.647 jovens já haviam sido imunizados por meio desta estratégia de resgate. O documento ministerial também orienta as autoridades de saúde locais a intensificarem as ações de vacinação em ambientes fora das unidades de saúde, como escolas e universidades, além de reforçar as campanhas de conscientização sobre a segurança e a eficácia da vacina.
O HPV é reconhecido como o principal agente causador do câncer de colo do útero, mas sua associação se estende a outros tipos de tumores, incluindo os de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta. O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), ressalta a importância da vacina como uma ferramenta preventiva crucial. Segundo Kfouri, “a partir do descobrimento desta relação íntima entre a infecção pelo HPV e o desenvolvimento de câncer surgiram as vacinas preventivas, ou seja, uma maneira de prevenir o câncer”, explicando que o imunizante impede o estabelecimento persistente do vírus no organismo, condição essencial para o desenvolvimento dessas neoplasias ao longo do tempo.
A recomendação de aplicar a vacina antes do início da vida sexual se deve ao fato de que o vírus é predominantemente transmitido por contato sexual. Kfouri esclarece que “ao vacinar antes da exposição ao vírus, você consegue obter o melhor desempenho da vacina, que é proteger contra todos os tipos contidos na vacina”. Ele também enfatiza que a imunização de meninos e meninas contribui para a redução da circulação do vírus na população, citando que países com alta adesão à vacinação observaram uma queda expressiva na incidência de verrugas genitais e cânceres relacionados ao HPV, especialmente o de colo do útero.
Desde 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o HPV em dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, e a atual estratégia de resgate amplia temporariamente essa oferta para a faixa etária de 15 a 19 anos. Renato Kfouri reforça a segurança e a alta eficácia do imunizante, afirmando que “é uma vacina extremamente segura e altamente eficaz. Uma das vacinas mais eficazes que nós já desenvolvemos no mundo”. Os estudos indicam uma proteção de pelo menos 15 anos após a aplicação, com expectativa de duração ainda maior. O especialista conclui que a ampliação do prazo representa uma “oportunidade única que não deve ser desperdiçada” para que todos os jovens até 19 anos se vacinem.

